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Bruno de Carvalho, a comunicação social e a propaganda moderna

Bruno de Carvalho, a comunicação social e a propaganda moderna

«Para ter sucesso, a primeira coisa a fazer é criar fama de maluco», foi assim que Bruno de Carvalho se apresentou na última entrevista que deu ao Expresso. Faz-vos lembrar alguém? Quem é que também parecia muito maluco, mas também chegou ao poder com essa fama? Não sei se adivinham, mas aos que adivinharam é isso mesmo, Trump. Donald Trump, o maluco, o gajo que não seguia a cartilha política habitual e tradicional, que não dizia coisa com coisa, que não fazia coisa com coisa, que esteve absolutamente “fora da corrida” inúmeras vezes, mas que, contrariamente à expectativa criada pela imprensa, chegou ao poder na nação mais poderosa e rica do mundo. Nos últimos dias compararam abundantemente Bruno de Carvalho a líderes sul americanos, como Maduro na Venezuela, mas é ao líder da nação mais rica e alegadamente civilizada do mundo que também é preciso ir buscar o termo comparativo mais certeiro. Pelo menos em determinados aspectos.

Um desses aspectos é a forma como hoje em dia o Sporting e o seu presidente minam a confiança na comunicação social e fazem desta um dos inimigos a combater. No mundo destes “lunáticos”, estar em confrontação com a comunicação social é bom porque faz com que estejam sempre no palco mediático, mesmo que a comunicação social esteja esmagadoramente a favorecer uma narrativa que lhes é, na aparência, prejudicial. Para contrapor a essa narrativa negativa que a comunicação social passa deles, gajos como Bruno de Carvalho e Trump (entenda-se: os propagandistas que têm ao seu serviço) arranjaram um infindável número de trabalhadores incansáveis que andam pela net a criar contra-narrativas favoráveis ao querido líder e que descredibilizam a comunicação social.

E como o inimigo comunicação social dá jeito a quem tem “fama de maluco”: por exemplo, para fugir ao tema cashball ou desvalorizá-lo, onde Geraldes foi detido para interrogatório e é já arguido com medidas de coacção não despicientes, Bruno de Carvalho aborda sempre o caso como se fosse uma invenção da comunicação social que só gosta de falar mal dele. Aqui está o exemplo de como a comunicação social para esta gente funciona como fogo de artifício que serve para distrair do essencial. Falam mal dela, mas não passam sem ela.

Mas isto, claro, também não acontece sem a conivência de alguns dentro da comunicação social: ora porque por vezes são incompetentes e na ânsia de gerarem audiências vão atrás de conversas mal contadas que lhes sopram aos ouvidos e que são desmentidas posteriormente, ora porque alguns são mesmo parceiros não oficiais do “maluco” e não têm problemas em plantar notícias falsas para pouco depois estas serem desmentidas. Note-se que Bruno de Carvalho fez da comunicação social um inimigo a abater, mas pelo meio rodeou-se de gente como Nuno Saraiva, Fernando Correia ou José Ribeiro, tudo malta que saltou da redacções de jornais para o Sporting. Há aqui uma certa inconsistência.

Por tudo isto é que não acho que Bruno de Carvalho já esteja morto e enterrado no Sporting. Pode muito bem renascer. Ter toda a comunicação social contra ele é um bálsamo. Ter os notáveis a dar a cara, ainda mais: joga completamente a seu favor. Ainda para mais, ganhando todo o tempo possível antes de ter de ir novamente a votos, vai usando o palco, o dinheiro e os meios que o Sporting lhe disponibiliza por estar na presidência deste para financiar uma campanha propagandista de elogio à sua pessoa e de crítica violenta aos seus rivais.

Vejo de fora, como benfiquista, e aprendo. Aprendo porque hoje isto acontece no Sporting, amanhã será no Benfica.

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